• jornadas 2026
  • Jornadas 2025
  • Jornadas 2024
  • jornadas 2026
  • Jornadas 2025
  • Jornadas 2024
Jornadas navegante
  • jornadas 2026
  • Jornadas 2025
  • Jornadas 2024

Planeamento de Infraestruturas Metropolitanas

Amadora, Cascais, Sesimbra e Vila Franca de Xira sentaram-se a uma mesma mesa para uma conversa sobre o balanço, as necessidades e o futuro dos transportes nos seus municípios e em toda a área metropolitana de Lisboa.
 

Na introdução ao primeiro painel de debate das Jornadas navegante® 2025, Faustino Gomes, Presidente do Conselho de Administração da TML, convidou a refletir sobre os principais projetos de macroplaneamento dos transportes, alertando para a necessidade de se pensar numa lógica metropolitana, sem fronteiras, no sentido de “trabalharmos todos para o mesmo fim”. É nessa mesma lógica que está a ser construído, pela mão da TML, o Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMMUS) da área metropolitana de Lisboa, que ausculta as necessidades da população e que visa propor medidas para melhorar a mobilidade, conforme adiantou Faustino Gomes. Entre estas contam-se algumas que já estão em execução, como os planos para a rede do Metropolitano de Lisboa, a extensão do Metro Sul do Tejo, ou em discussão, como as acessibilidades ao novo aeroporto de Lisboa e a terceira travessia do Tejo, ou ainda as que se estão a estudar para o futuro, como a ligação de Sintra a Cascais ou a quarta travessia do Tejo. “É um plano muito ambicioso”, segundo Faustino Gomes, mas que se sabe ser fundamental para a região e para o qual a TML se dispõe a trabalhar com todos.
Para este primeiro momento de reflexão, com moderação de Ana Patrícia Carvalho, juntaram-se em palco Vítor Ferreira, Presidente da Câmara da Amadora; Nuno Piteira Lopes, Vice-Presidente da Câmara de Cascais; Francisco Jesus, Presidente da Câmara de Sesimbra; e Fernando Paulo Ferreira, Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira.

Juntos pensamos mais longe

Ana Patrícia Carvalho deu início à conversa, questionando os oradores acerca da relevância do âmbito metropolitano deste planeamento. Vítor Ferreira, Presidente da Câmara da Amadora, confirmou que esta visão metropolitana é essencial para encontrar soluções de mobilidade para a região e congratulou-se com todo o trabalho de políticas públicas de transporte que foi feito desde o início da TML, “juntando os 18 presidentes da câmara da amL, de diferentes cores políticas, no propósito de servir as pessoas”. Já Nuno Piteira Lopes, pela Câmara Municipal de Cascais, que se disse alinhado com a opinião de Vítor Ferreira acerca do bom trabalho da TML, adiantou que a este plano gostaria de acrescentar “mais ambição”, na medida em que “há projetos que estão em estudo há décadas”, como é o caso do BRT na A5. “Temos de avançar com o transporte público na A5”, apelou. Francisco Jesus, Presidente da Câmara de Sesimbra, concelho onde mais de 40% da sua população circula todos os dias para a margem norte, concordou com a necessidade desta maior ambição. “É muito importante que comecemos a olhar para os planos numa lógica de concretização, olhar para aquilo que são as soluções”, defendeu. “Enquanto não conseguirmos que os tempos de viagem em transportes públicos de Sesimbra a Lisboa sejam menores do que de transporte próprio, será mais difícil mudar as mentalidades das pessoas e levá-las para o transporte público”, afirmou, acrescentando que não tem dúvidas de que a TML é a chave para o sucesso desta missão e “a ligação de que precisamos para ter uma visão metropolitana dos transportes”. Fernando Paulo Ferreira, Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, defendeu igualmente que todos os 18 presidentes da câmara têm noção de que estão a contribuir para este sucesso. “O navegante® veio demonstrar isso mesmo, que é possível trabalharmos todos em conjunto, não para o próprio umbigo, mas no contexto da área metropolitana de Lisboa”, concluiu. O autarca disse ainda acreditar que este nível de pensamento global pronuncia uma tendência: “faz sentido que outras áreas sejam pensadas também a nível metropolitano, em vez de serem pensadas município a município. Juntos pensamos melhor e pensamos mais longe.”

Novos caminhos a seguir

“E, neste caminho que está a ser seguido, existirá alguma infraestrutura numa lógica de transporte coletivo em sítio próprio que importe estudar para além do que aqui já foi defendido?”, lançou a moderadora. Vítor Ferreira apontou o eixo de ligação Algés-Reboleira, em estudo com a TML, e que disse estar “atrasado 23 anos”. Nuno Piteira Lopes, que relatou um baixíssimo uso dos transportes públicos por parte dos alunos do município de Cascais, defendeu que é necessário apostar nos jovens e na tecnologia. “Os jovens são os maiores indutores de transformação na sociedade. E a tecnologia oferece a segurança de que os pais precisam para deixar os filhos viajarem sozinhos. Tal como permite uma melhor conexão dos transportes nas interfaces.” Francisco Jesus concordou que são os jovens que podem inverter a resistência ao transporte público e acrescentou que é ao Estado que cabe a responsabilidade de transformar mentalidades, através de uma grande operação de serviço público para o país: “Nós podemos ter toda a vontade do mundo, mas se não houver um investimento público por parte da administração central não vamos conseguir lá chegar.” Fernando Paulo Ferreira lembrou a necessidade da introdução das novas tecnologias e da inteligência artificial no processo de gestão dos transportes.

E o futuro que se avizinha

“E, daqui por um ano, que mensagem vão gostar de deixar num debate sobre a mesma temática?”, lançou a moderadora, em jeito de conclusão. Vítor Ferreira apostou na concretização dos projetos agora em discussão, fazendo a ressalva de que, para tal, será necessário o envolvimento do Governo “que se segue”. Já Nuno Piteira Lopes defendeu que os projetos neste setor estão tão adiantados que não deverão ser revertidos por nenhum Governo. Para Cascais em concreto, sonha com a gratuitidade também do transporte ferroviário, mas acredita que, “mais cedo ou mais tarde, todo o transporte na área metropolitana de Lisboa será gratuito”. O presidente da Câmara de Sesimbra também colocou a tónica na irreversibilidade do trabalho já adiantado e disse acreditar que, dentro de um ano, estarão a ser trabalhadas as medidas preconizadas pelo Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMMUS) agora em estudo. Por fim, Fernando Paulo Ferreira, fez notar, com humor, não ter tanta confiança que “seja qual for o protagonista, não haverá um passo atrás”. No entanto, não deixou de passar uma mensagem de esperança, onde num futuro próximo haverá uma ligação de transporte público pesado entre Lisboa, Loures e Vila Franca de Xira, que será muito útil não só para estes municípios. Porque, como disse, “a mobilidade não é boa para o território A ou B, é boa para toda a área metropolitana de Lisboa”.