• jornadas 2026
  • Jornadas 2025
  • Jornadas 2024
  • jornadas 2026
  • Jornadas 2025
  • Jornadas 2024
Jornadas navegante
  • jornadas 2026
  • Jornadas 2025
  • Jornadas 2024

Políticas Públicas Metropolitanas

​No segundo momento de debate do evento foi dada a palavra a Almada, Mafra, Montijo e Setúbal. Os quatro presidentes destas Câmaras Municipais refletiram sobre a importância e as possibilidades de desenvolvimento das políticas públicas metropolitanas de transportes.
 
Rui Lopo, administrador da TML, deu o mote para esta conversa com a apresentação dos dados de crescimento das marcas Carris Metropolitana e navegante®. “A TML, enquanto empresa big data, gere um grande volume de dados que são divulgados em tempo real e que são indicativos dos caminhos a seguir.” Exemplificando, Rui Lopo conseguiu extrair, no momento, que a Carris Metropolitana, até àquela hora, já tinha feito mais de 13 mil serviços na amL e que se registavam apenas 2% de falhas, que eram justificadas essencialmente por excesso de trânsito. São igualmente os números que permitem chegar à conclusão de que a operação Carris Metropolitana continua em crescimento e a bater recordes. Até à data, o crescimento do número de passageiros transportados, face ao ano anterior, já era de 15%. Por outro lado, do Inquérito de Satisfação lançado aos utilizadores da Carris Metropolitana, a empresa concluiu que obteve um índice de satisfação de 7.2 em 10, que é “o resultado do esforço conjunto de operação, planeamento e comunicação”, segundo Rui Lopo. Do lado do navegante®, a comunicação tem sido também vital porque “por essa via, tem sido possível trazer mais passageiros ao transporte público. Os números assim o comprovam, registando um aumento de 17% de passes carregados e de 13% de passageiros em 2024, face a 2023.” Rui Lopo referiu ainda o exemplo do navegante® Empresas, com uma taxa de crescimento muito significativa e já com cerca de 400 entidades aderentes. De igual forma, a app navegante®, acessível a todos, tem um crescimento muito significativo e hoje ela é um “autêntico balcão de atendimento nas mãos dos utilizadores”. Próximos passos? Criar condições para digitalizar o cartão navegante® e poder usá-lo no telemóvel. “Vamos chamar-lhe navegante® Mobile e vai começar a ser testado nas próximas semanas”, anunciou o administrador da TML.
Ana Patrícia Carvalho deu então início a uma conversa que envolveu Inês de Medeiros, Presidente da Câmara Municipal de Almada; Hugo Moreira Luís, Presidente da Câmara Municipal de Mafra; Maria Clara Silva, Presidente da Câmara Municipal do Montijo; e André Martins, Presidente da Câmara Municipal do Setúbal.
 
“navegante®, uma verdadeira revolução”

Disse-o Inês de Medeiros e todos os outros autarcas em palco, quando questionados pela moderadora sobre a importância do navegante® no seu município. A Presidente da Câmara de Almada recordou que, antes do navegante®, os seus munícipes gastavam “centenas de euros em passes diferentes de autocarro, barco, comboio.” Juntamente com a criação da Carris Metropolitana, que “veio oferecer transporte a zonas de Almada que, antes, não tinham um único autocarro”, os dois serviços mudaram a vida das famílias do concelho e vieram demonstrar algo que, para Inês de Medeiros, é sempre bom relembrar: “a famosa lei do mercado que diz que é a procura que determina a oferta, no caso dos transportes públicos é ao contrário: é a oferta que determina a procura.” Para Hugo Moreira Luís, o navegante® e a Carris Metropolitana foram também transformadores para os mafrenses, na medida em que a oferta foi ampliada, gerando uma maior atratividade pelo transporte público. “Agora, só falta elevar o nível do serviço”, acrescentou. Maria Clara Silva, Presidente da Câmara do Montijo, concorda que é sempre necessário melhorar, mas defendeu que a TML tem feito bem esse trabalho, “ouvindo as pessoas e acertando os percursos às suas necessidades”. Para o Montijo, que é “um território descontínuo”, o passe navegante® foi de extrema importância, garantiu. André Martins, Presidente da Câmara Municipal do Setúbal, concordou que o navegante® metropolitano foi uma conquista, mas acrescentou que é necessário “continuarmos a defender essa conquista”. Para o autarca de Setúbal, é necessário olhar para o território da área metropolitana de Lisboa (amL) “de forma mais articulada” e para os transportes públicos vaticinou um futuro onde a TML seria “a coordenadora de todos os modos de transporte na amL”.
Políticas de transportes com muito potencial de crescimento
Inês de Medeiros concordou que as políticas metropolitanas devem ser coordenadas e deu o exemplo da necessidade da complementaridade, no seu município, do transporte fluvial e ferroviário, mas também de uma concordância na ligação das duas margens do rio, que deve ser algo que “nos une, e não que separa”. Já Hugo Moreira Luís reportou que no concelho de Mafra, onde nos últimos 25 anos a população duplicou e cerca de 35% tem menos de 30 anos, será necessário elevar a oferta de transporte público, essencialmente na ligação a outros municípios que não Lisboa, como Sintra ou Loures, e ainda focar a oferta no turismo, dado o enorme potencial do município. Para Maria Clara Silva, o investimento a fazer não será tanto na oferta da Carris Metropolitana, que disse estar “a andar bem”, mas na travessia do rio, com a melhor oferta de transporte fluvial e a criação de faixas de transportes públicos na Ponte Vasco da Gama. André Martins concordou que ainda há muito a fazer para as pessoas “virem para o transporte público” e, para o município de Setúbal, deu os exemplos da melhoria das conexões nas interfaces, da necessidade de diminuição da duração da viagem de comboio de Setúbal para Lisboa ou ainda da implementação de ligações às áreas limítrofes da amL.

Continuidade, coerência, planeamento e confiança são essenciais

Em matéria de política de transporte, os quatro autarcas concordaram que foi dado um passo de gigante que não pode recuar. Para tal, apontaram as coordenadas a seguir. “Há que garantir a continuidade deste caminho, continuar a investir - quando falo de investir, não falo apenas dos municípios, mas também do Estado – continuar o trabalho com coerência e planeamento”, defendeu Inês de Medeiros. Hugo Moreira Luís concordou e acrescentou: “Continuidade, coerência, planeamento… e confiança e pontualidade! A partir daí, acho que o transporte público deixa de ser uma opção e passa a ser uma utility!” Maria Clara Silva afirmou igualmente que é essencial “manter e reforçar o trabalho já feito”, acrescentando que é necessária uma maior articulação entre os diferentes meios de transporte. E André Martins voltou a colocar a tónica na confiança neste modelo e assegurou que o Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana Sustentável, prestes a ser finalizado, expressará as necessidades das populações que conduzirão às soluções para os problemas de mobilidade.